sábado, 23 de novembro de 2019

Lucinha Lins - Sempre, Sempre Mais (1982)

Lucinha Lins é o nome artístico da carioca da Tijuca Lúcia Maria Werner de Carvalho Vianna, que iniciou no cenário musical com o grupo Movimento Artístico Universitário. Tempo depois, conheceu o cantor e compositor Ivan Lins, com quem acabou se casando (daí o Lins de seu nome). Com ele, participou dos vocais nos seus shows e em seus discos, ao mesmo tempo em que disputava festivais de música pelo país e gravava diversos jingles. Em 1981, venceu o Festival MPB Shell, interpretando "Purpurina" (que também está neste álbum), mas foi vaiada pelo público, que preferia "Planeta Água", de Guilherme Arantes. Meses depois, estreou o espetáculo “Sempre, Sempre Mais”, com o bailarino Cláudio Tovar. As músicas escritas por Ivan Lins e Vitor Martins para o show viraram, então, este magnífico LP .

A voz doce e, ao mesmo tempo forte da artista, garantiram o sucesso do álbum. Não dá para não ir às estrelas ouvindo a versão de "When You Wish Upon a Star" ("Se Uma Estrela Aparecer"), conhecido tema da Disney, embalado por um belo arranjo e pela delicadeza de seu canto. A sensual "Mudança dos Ventos", com o apoio vocal de Ivan, é ao mesmo tempo ousada e romântica, ao pedir "Me revista, me excita (...)/Me tira essa vergonha /Me mostra, me exponha". 

"Sempre, Sempre Mais" é uma ode ao dom de atuar e cantar num palco, que reflete como essa exposição pode mudar completamente uma pessoa para melhor. É uma das músicas de maior sucesso do LP.

Um ano depois do lançamento do LP, Lucinha se casaria com seu parceiro de espetáculo, com quem dividiu, inclusive, os vocais de "Enquanto Eu Brilhar" (uma bem humorada troca de 'farpas' entre um casal) e "Virou Vício" (uma mescla de MPB com musical da Broadway).

Álbum memorável e raríssimo; puro deleite.


01- Virou Vicio (com Cláudio Tovar)   [03:42]
02- Se Uma Estrela Aparecer    [02:01]
03- Espelho De Camarim    [03:23]
04- A Cidade Dos Artistas    [02:35]
05- A Hora Do Touro    [02:42]
06- Mudanca dos Ventos    [02:06]
07- Sempre, Sempre Mais    [04:30]
08- Surpresa    [03:51]
09- Assobiando E Chupando Cana    [02:14]
10- Purpurina    [04:05]
11- Enquanto Eu Brilhar (com Cláudio Tovar)  [02:04]

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sábado, 16 de novembro de 2019

The Clash - The Story Of , Vol. 1 (1988)

The Clash surgiu no cenário londrino em 1976, pegando carona na onda Punk-Rock que estava assolando o Reino Unido (bem como outras partes do globo) a partir da metade da década de '70. Com Joe Strummer nos vocais, Mick Jones na guitarra (e vocais em algumas músicas), Paul Simonon no baixo e Nicky Headon na bateria, a banda lançou seu primeiro LP homônimo em 1977, um mês depois do primeiro single, "White Riot", chegar a posição de número 34 no Reino Unido.  O álbum conseguiu um sucesso relativo, embora nos EUA isso só fosse acontecer dois anos depois, com o lançamento de "London Calling", terceiro álbum do grupo.

Desse álbum, as faixas "Train In Vain" (bem legalzinha, mas que nunca menciona o título na letra) e "Clampdown" viraram singles e entraram nesta coletânea, bem como "The Guns of Brixton". "I Fought The Law" é do grupo The Crickets e ganhou uma roupagem bem mais bacana com The Clash, nesta versão de 1979. O funky "The Magnificent Seven" (do álbum triplo "Sandinista!", de 1980) foi inspirado na sonoridade das músicas de Grandmaster Flash e Sugarhill Gang, trazendo o então não muito conhecido Rap para um novo público. "This Is Radio Clash" não está em nenhum LP do grupo, tendo saindo somente em single em 1981 - provavelmente por causa de sua sonoridade diferente, que parecia mais Disco do que punk-rock.

Mas a música que a maioria das pessoas conhece mesmo é "Sould I Stay Or Should I Go", do LP "Combat Rock" (1982) que, com seu refrão "pauleira", contribuiu para um novo tipo de dança, que simula golpes de luta sem nunca tocar no seu oponente. A faixa chegou a posição de número 17 na UK Singles, e número 13 na Billboard Top Tracks. A faixa tornou-se extremamente popular e foi relançada diversas vezes. Numa dessas ocasiões, na década de '90, chegou ao número 1 na UK Singles. Outra, do mesmo LP, com boa colocação nas paradas foi "Rock The Casbah", que chegou a número 8 na Billboard Hot 100 e a 6a colocação na Billboard Top Tracks. No Reino Unido, na UK Singles Chart, ficou em 30a, embora tenha conseguido ao número 15 quando foi relançada em 1991. 

Este "The Story Of...Vol. 1" é uma pincelada na discografia do grupo inglês que, no Brasil, saiu numa edição com um único CD pela Sony Music (no exterior é um CD Duplo). Vale dar uma conferida.


01 - The Magnificent Seven    [04:30]
02 - Rock The Casbah    [03:44]
03 - This Is Radio Clash    [04:11]
04 - Should I Stay Or Should I Go    [03:9]
05 - Straight To Hell    [05:32]
06 - Armagideon Time    [03:54]
07 - Clampdown    [03:50]
08 - Train In Vain (Stand By Me)    [03:13]
09 - The Guns Of Brixton    [03:13]
10 - I Fought The Law    [02:40]
11 - Somebody Got Murdered    [03:36]
12 - Lost In The Supermarket    [03:50]
13 - Bankrobber    [04:33]

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sexta-feira, 1 de novembro de 2019

Barry Manilow - Greatest Hits Volume I / Volume II / Volume III (1989)


Esta é uma postagem tripla, com três CDs que contemplam  a coleção "Greatest Hits" lançada pela Arista em 1989. Os três volumes, juntos, trazem um apanhado das melhores músicas do artista entre as décadas de '70 e início da de '80.

"Ships", de autoria de Ian Hunter (ex-Mott The Hoople), é uma letra aparentemente delicada e sensível, mas que esconde um ódio severo que o autor tinha do pai. A distância entre ambos é clara na letra, mas não a raiva. Ele começa narrando uma noite em que passeavam pela praia ("We walked to the sea/Just my father and me"), enquanto cães brincavam na areia. Depois, se sentam e permanecem observando uma luz distante. Apesar dos sentimentos
ruins, o desejo de se dar bem com o pai está presente, principalmente quando o garoto pensa, com estranheza, tê-lo ouvido pedir para segurar sua mão ("(...) did he say 'hold my hand'?")

"We're two ships that pass in the night" compara ambos a navios que apenas navegam na noite. Ou seja, estão lado a lado mas, ao mesmo tempo, não "se conectam"; apenas seguem. Esse distanciamento, cada vez maior, fica evidente quando ele diz "It seems you and I are like strangers a wide ways apart/
As we drift on through time" ("parece que eu e você somos cada vez mais estranhos a medida que avançamos no tempo"). O arranjo e a voz intensa de Manilow só contribuiu para tornar a música mais emotiva; chega quase a doer na alma (numa entrevista ao jornal britânico The Independent, o
próprio Hunter chegou a declarar que Barry "não economizou nos arranjos" da canção). Sem dúvida, uma belíssima música numa belíssima interpretação.

"I Made Through The Rain", gravada originalmente em 1979 por Gerard Kenny (que compôs a melodia), foi regravada por Barry em 1980 e ganhou mudanças severas na letra. A canção inicial falava da vida de compositor que, não importava o que acontecesse (e, ainda que faltasse inspiração), estava lá para escrever e mostrar suas canções. Manilow preferiu dar uma visão mais abrangente, falando das dificuldades que se enfrenta na vida de um modo geral, e não apenas sob a ótica do compositor. Assim, os versos "A true musician plays /Through all the rainy days/And every song survives/It takes the stage by storm/And it keeps the music warm" viraram "We, dreamers, have our ways /Of facing rainy days/And somehow we survive/We keep our feelings warm/Protect them from the storm/Until our time arrives".

No refrão, somente algumas palavras foram trocadas: "I made through the rain/And kept my songs protected" se tornou "I made through the rain/And kept world protected" (substituindo "my songs" por "world"), e "I made through the rain/And played my pont of view" virou "I made through the rain/And kept my pont of view" (substituindo "played" por "kept").

Nos versos seguintes, mudança total de novo: "No matter how it rains/A singer entertains/And music must be made  (...)/Then you play the clouds away/Waiting until you hear /Your music say"" foram reescritos como "When friends are hard to find/And life seems so unkind/Sometimes you feel afraid (...)/'Cause when I chased my fears away/That's when I knew/I could finally say".  Em meio as estes últimos versos, a única frase que se manteve igual em ambas as versões foi "And start your own parade" (que tinha mais a ver com a saga do músico do que com a visão de Manilow  -  mas, ainda assim, serviu). Apesar das diferenças, ambas as gravações obtiveram sucesso: a de Gerard chegou ao top 20 no Reino Unido (Gerard morava em Londres à época); a de Manilow conquistou a décima posição na Billboard Hot 100 e a quarta na Adult Contemporary Chart, ambas nos EUA.

"Ready To Take a Chance Again" é grandiosa. Tema do filme "Golpe Sujo" ("Foul Play"), de 1978, mostra os sentimentos de alguém que sofreu enormemente com o término de um relacionamento e fechou-se em si mesmo, num "abrigo", a salvo do passado, em um lugar onde não há novas "surpresas" ("You reminded me/I live in a shell/Safe from the past (...)/No jolts, no surprises (...)"), mas ainda com uma tremenda insegurança ("And doin' okay, but not very well"). Até que, finalmente, conhece um novo amor e resolve tentar novamente ("And I'm ready to take a chance again/Ready to put my love on the line with you"). A canção foi escrita por Charles Fox e Norman Gimbell e permaneceu por duas semanas na posição de número 11 na Billboard Hot 100. Chegou a ser indicada para o prêmio de Melhor Canção mas perdeu para "Last Dance", de Donna Summer.

O hit "Copacabana (At The Copa)", apesar do nome, não é uma referência ao Rio de Janeiro, embora tenha sido inspirada por ela. À época, Manilow e os compositores Jack Feldman e Bruce Sussman visitavam Copacabana. O nome do bairro carioca ficou na cabeça e decidiram criar uma estória em cima disso, mas ambientada em Havana, e com uma boate levando seu nome. A música narra, então, a estória de Lola, uma dançarina do local, cujo namorado também trabalhava lá como barman. Um dia, Rico, aparentemente um gângster, aparece, todo pomposo, exibindo seus apetrechos repletos de diamantes. Ele pára seu olhar em Lola, que dança vorazmente, e decide dar em cima dela. Tony, do bar, vê a cena e, enciumado, parte para a briga. Baleado, Tony acaba morrendo. A narrativa, então, salta trinta anos: Lola continua frequentando o local, que acabou se tornando uma discoteca. Usando ainda a mesma roupa que usava para dançar, ela agora permanece sentada entre os clientes e fica ali, todo o tempo, meio "fora de órbita"pela perda não superada. A ficção rendeu a posição de número 8 na Billboard Top 40, chegando também ao top 10 na Bélgica, Canadá e França. Em 1985, a música deu origem a um especial de TV e, depois, a uma peça de teatro, ambas chamada "Copacabana".

Escrita por Scott English e Richard Kerr, e gravada inicialmente por Scott em 1971, "Brandy" se tornou "Mandy" na voz de Manilow, por opção do próprio cantor (o objetivo era que ela não fosse confundida com a canção homônima do grupo Looking Glass, de 1972). Em sua voz, a música chegou ao número 1 da  Billboard Hot 100 em 1974. Foi o primeiro grande sucesso do artista, e lhe rendeu um disco de ouro. No Brasil, em 1989, a música ganhou uma versão em português apenas para figurar no comercial da rede de lojas Bunny's, na voz de Alaor Coutinho, renomeada para "A Gente" ("Eu me lembro de você/Mesmo sem te conhecer (...)").

"I Write The Songs", escrita por Bruce Johnston, foi gravada por Manilow por sugestão do produtor  e presidente da Arista Records Clive Davis. Embora a canção pareça ser narrada por um compositor, falando de suas próprias composições (o que a tornaria um tanto egocêntrica), quem narra é, na verdade, a própria Música, como se ela fosse uma entidade própria: "I put the words and the melodies together/I am Music and I write the songs" (eu coloco letra e melodias juntas/Eu sou a música e escrevo as canções).  A letra quer convencer o ouvinte, então, do valor da Música na vida de cada pessoa, mostrando que é graças a ela que palavras e melodias, juntas, ganham sentido. É uma viagem pelo ponto de vista da Música, dizendo que ela tem sempre um lugar cativo na alma do ouvinte, que faz jovens garotas chorarem e que preenche corações, vivendo lá, dentro de cada um. Canção bem delicada, mas que requer atenção para não ser interpretada sob uma ótica meio narcisista.

"Memory" saiu do musical da Broadway "Cats", e foi escrita por Andrew Lloyd Weber e Trevor Nunn. A primeira gravação saiu na voz de Elaine Page, em 1978, que interpretou Grizabella, a gata que entoa a canção na peça. A música retrata como a personagem se sente ao ser excluída pelos seus companheiros, relembrando o tempo em que era feliz. Ganhou arranjos e interpretação fenomenais na voz de Barry.

Há outras faixas que não podem ficar sem menção. "Can't Smile Without You", de Christian Arnold, David Martin e Geoff Morrow, teve várias regravações, mas foi a de Barry que ficou mais conhecida, chegando a número 1 na Billboard Adult Contemporary e número 3 na  Billboard Hot 100. A aparente otimista "Looks Like We Made It" ("Parece que conseguimos") conta, na verdade, que o casal em questão conseguiu superar a crise no amor, mas não juntos e, sim, com outros parceiros - segundo o próprio autor Will Jennings, a letra é propositalmente irônica, mas rendeu vários números 1 nos EUA. "Even Now", que dá nome ao quinto álbum do artista, foi escrita por ele em parceria com Marty Panzer e fala de um amor perdido. Belíssima canção, também conseguiu a primeira colocação na Adult Contemporary Chart em 1978. E "Somewhere In The Night", embora a de Barry não tenha sido a primeira gravação, com certeza é a melhor - fruto dos compositores Richard Kerr e Will Jennings.


CD 1
01 - Mandy    [03:25]
02 - New York City Rhythm    [04:45]
03 - Looks Like We Made It    [03:37]
04 - Daybreak    [03:11]
05 - Can't Smile Without You    [03:15]
06 - It's A Miracle    [03:57]
07 - Even Now    [03:33]
08 - Bandstand Boogie    [02:53]
09 - Tryin' To Get The Feeling Again    [03:53]
10 - Some Kind Of Friend    [04:04]

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CD 2
01 - Could It Be Magic    [06:51]
02 - Somewhere In The Night    [03:30]
03 - Jump Shout Boogie    [03:07]
04 - Weekend In New England    [03:48]
05 - All The Time    [03:19]
06 - This One's For You    [03:32]
07 - Copacabana    [05:48]
08 - Beautiful Music    [04:40]
09 - I Write The Songs    [03:58]
10 - You're My Only Girl (Jenny)    [03:35]

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CD 3
01 - Ships    [04:04]
02 - Let's Hang On    [03:12]
03 - Ready To Take A Chance Again    [03:05]
04 - Read 'Em And Weep    [05:29]
05 - Somewhere Down The Road    [04:0]
06 - One Voice    [03:05]
07 - The Old Songs    [04:44]
08 - I Made It Through The Rain    [04:28]
09 - Dirt Cheap   [03:50]
10 - Memory       [04:58]

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